Negatividade vs Expansão
Porque Deslizamos Mais Facilmente para a Negatividade do que para a Expansão?
Já reparaste como a tua mente salta rapidamente para a dúvida, o medo ou piores cenários…
Mesmo quando tudo está a correr bem?
Começas algo novo, sentes entusiasmo e, de repente, surgem os seguintes pensamentos:
• “E se eu falhar?”
• “Talvez eu não esteja preparada.”
• “Isto provavelmente não vai resultar.”
E, assim, a tua energia muda.
Então a questão é:
Porque é que a negatividade parece tão natural… enquanto a positividade e a expansão parecem exigir esforço?
O Teu Cérebro Está Programado para a Sobrevivência
Não para a Felicidade
A verdade é simples, mas muitas vezes mal compreendida:
O teu cérebro não foi desenhado para te fazer feliz.
Foi desenhado para te manter viva/o.
Os nossos antepassados viviam em ambientes onde o perigo era real e constante.
Ignorar uma ameaça poderia significar a morte.
Por isso, o cérebro adaptou-se desenvolvendo aquilo a que os psicólogos chamam de viés da negatividade, uma tendência natural para:
• Focar no que está errado
• Antecipar o perigo
• Recordar experiências negativas com mais intensidade do que as positivas
Porque, do ponto de vista da sobrevivência, isso era mais inteligente.
O Teu Sistema Nervoso: O Motor Invisível das Tuas Reações
Para compreender isto ainda mais profundamente, precisamos de olhar para o teu sistema nervoso, mas de forma muito simples.
O teu corpo tem dois “modos” principais entre os quais alterna:
1. Sistema Nervoso Simpático (Luta ou Fuga)
Este é o modo de alerta do teu corpo.
Ativa-se quando o teu cérebro deteta perigo, real ou imaginado.
O teu corpo reage assim:
• O ritmo cardíaco aumenta
• A respiração acelera
• Os músculos ficam tensos
• Sentes ansiedade, stress ou inquietação
Este sistema é extremamente útil quando estás em perigo real.
Mas hoje em dia, é ativado por coisas como:
• Medo de falhar
• Pensamentos excessivos
• Preocupação com o que os outros pensam
Mesmo sem uma ameaça real, o teu corpo reage como se houvesse.
2. Sistema Nervoso Parassimpático (Descanso e Recuperação)
Este é o teu modo de calma e segurança.
Quando este sistema está ativo:
• A tua respiração abranda
• O teu corpo relaxa
• Sentes-te presente, tranquila/o e com clareza
Este é o estado onde acontecem o crescimento, a criatividade e a expansão.
Mas aqui está o ponto-chave:
O teu sistema só entra verdadeiramente neste estado quando sente segurança.
O Familiar Parece Seguro, Mesmo Quando Te Limita
O teu sistema nervoso tem uma função principal: Proteger-te.
E, para isso, baseia-se no que é familiar. Mesmo que o que seja familiar seja:
• Dúvida sobre ti mesma/o
• Jogar pequeno
• Pensar demasiado
• Medo de julgamento
Ainda assim, isso é registado como seguro.
Porquê?
Porque já passaste por isso antes.
E o teu sistema sabe como lidar com isso.
Por outro lado, crescimento, expansão e novas oportunidades? São desconhecidos.
E, para o teu cérebro, desconhecido = potencial perigo. Então, o que acontece?
O teu corpo pode ativar subtilmente a resposta de luta ou fuga, mesmo quando estás simplesmente a tentar crescer.
Crenças Limitantes Não São o Problema, São Proteção
Aquilo a que chamamos “crenças limitantes” é muitas vezes mal compreendido.
Não são falhas.
São mecanismos de proteção.
Em algum momento da tua vida, a tua mente criou crenças como:
• “Não sou suficiente”
• “É mais seguro não tentar”
• “As pessoas vão julgar-me”
Não para te sabotar, mas para te proteger da dor, rejeição ou falha.
O desafio é que aquilo que antes te protegeu… pode mais tarde manter-te bloqueada/o.
Porque é que a Expansão Parece Mais Difícil
Dar passos em direção a uma versão mais confiante, abundante e alinhada de ti mesma/o implica:
• Sair do que conheces
• Assumir riscos emocionais
• Libertar o controlo
• Confiar em ti na incerteza
E aqui está o que acontece por baixo da superfície:
Estás a pedir ao teu sistema nervoso para se manter calmo (modo parassimpático) enquanto fazes algo desconhecido (o que normalmente ativa o modo simpático).
Isto não é o estado natural do teu cérebro.
Por isso, surge resistência.
Não porque estejas a fazer algo errado, mas porque estás a fazer algo novo.
Não é que a Negatividade Seja Mais Forte, é Mais Praticada e Repetida
A maioria das pessoas passou anos, muitas vezes de forma inconsciente, a repetir padrões de:
• Dúvida
• Medo
• Limitação
Esses caminhos neurais estão bem estabelecidos.
O teu corpo também está habituado a ativar rapidamente a resposta ao stress. A expansão, por outro lado, é desconhecida.
E tudo o que é desconhecido requer intenção, consciência e repetição até se tornar natural, tanto mental como fisicamente.
Então, o que Podes Fazer?
Não mudas ao forçar positividade ou ignorar o medo.
Mudas através da consciência. No momento em que:
• Reparas no pensamento
• O reconheces como um padrão
• Observas o que o teu corpo está a sentir (tenso, apertado, inquieto)
• Escolhes não te identificares com ele
Crias espaço. E, nesse espaço, algo poderoso acontece:
O teu sistema nervoso começa a acalmar.
Sais do modo de luta ou fuga…
E entras num estado mais calmo e presente.
E, a partir desse lugar, uma nova resposta torna-se possível.
Uma Perspetiva Final
Tu não és o teu medo.
Tu não és as tuas crenças limitantes.
Tu não és os teus pensamentos.
Tu és quem os observa.
E, no momento em que consegues observar um pensamento sem te tornares nele…
começas a entrar numa forma diferente de ser.
Não pela força, mas pela consciência.