O Peso das Expetativas Não Ditas
Já alguma vez te sentiste desiludida com alguém… não por aquilo que fez, mas por aquilo que não fez?
Esperavas que reparasse.
Que entendesse.
Que se lembrasse.
Que reagisse de outra forma.
E quando isso não aconteceu, alguma coisa dentro de ti mudou em silêncio.
Nem sempre de forma dramática.
Às vezes manifesta-se como distância. Irritação. Fecho. Silêncio.
Outras vezes transforma-se num ressentimento que cresce lentamente ao longo do tempo.
A parte mais difícil é que muitas das nossas expetativas mais profundas nunca chegam verdadeiramente a ser verbalizadas.
Assumimos que as pessoas que nos amam “simplesmente deviam saber”.
Acreditamos que o cuidado devia parecer óbvio. Natural. Automático.
Criamos acordos emocionais invisíveis sem sequer nos apercebermos.
Se te importasses, perguntavas como estou.
Se me amasses, perceberias que estou em baixo.
Se eu sou importante para ti, eu não devia precisar de pedir.
Mas os seres humanos não conseguem ler pensamentos.
Mesmo as pessoas que nos amam profundamente vivem a realidade através da sua própria lente, da sua história, dos seus medos, distrações e linguagem emocional.
Aquilo que para ti parece evidente pode ser completamente invisível para outra pessoa.
Damos aquilo que gostaríamos de receber.
Atenção. Presença. Segurança. Esforço.
E depois magoamo-nos em silêncio quando isso não nos é devolvido da mesma forma.
Mas o amor nem sempre se expressa da maneira que imaginamos.
Há pessoas que demonstram amor através de palavras.
Outras através de responsabilidade.
Outras através de consistência, ajuda prática, proteção, humor ou simplesmente ficando.
Quando as expetativas permanecem por dizer, os dois lados
acabam por perder.
Uma pessoa sente-se invisível.
A outra sente que está constantemente a falhar sem perceber exatamente porquê.
A comunicação começa a ser substituída por suposições.
E as suposições raramente são uma base segura para qualquer relação.
Isto também acontece na relação que temos connosco próprios.
Carregamos expetativas invisíveis sobre quem já devíamos ser nesta fase da vida.
Sobre a rapidez com que devíamos curar certas dores.
Sobre o quão produtivos devíamos ser.
Sobre o quão fortes emocionalmente devíamos conseguir manter-nos.
Falamos connosco através de pressão silenciosa.
Eu já devia ter ultrapassado isto.
Eu devia lidar melhor com esta situação.
Eu devia saber o que estou a fazer.
E quando a realidade não corresponde à versão que criámos na nossa cabeça, surge novamente a desilusão.
Nem todas as expetativas são negativas.
Algumas criam estrutura, respeito e segurança emocional.
O problema não é termos necessidades.
O problema é esperarmos compreensão sem comunicação.
Existe força em aprender a comunicar com clareza, em vez de esperar ser automaticamente compreendido.
Poder dizer:
Isto é importante para mim.
Preciso de apoio neste momento.
Fiquei magoada com o que aconteceu.
Podemos falar sobre isto?
A vulnerabilidade pode parecer menos confortável do que o silêncio… mas cria muito mais honestidade.
A verdade é que muitas relações não são destruídas pelos conflitos.
São lentamente enfraquecidas pelas conversas que nunca chegam a acontecer.
E às vezes a cura começa quando deixamos de esperar que os outros leiam a nossa mente… e começamos a permitir que nos vejam
com clareza.