Uma Carta Através do Tempo: À Criança Dentro de Ti e ao Teu Eu do Futuro

Já alguma vez paraste… e sentiste a presença silenciosa de quem tu já foste? Ou deste por ti a pensar na pessoa em quem te estás lentamente a tornar? Não nos papéis que desempenhas ou nas expetativas que carregas, mas em ti, para além de tudo isso.

Existem duas versões de ti que estão sempre contigo: a criança que ainda se lembra, e o teu eu do futuro que espera, em silêncio. E talvez, sem te aperceberes, estejas constantemente em conversa com ambas.

Existe uma versão mais nova de ti que ainda vive no teu corpo. Ela lembra-se dos momentos em que te sentiste invisível, das vezes em que tentaste ser “suficiente”, do amor que desejavas e das formas como aprendeste a lidar quando ele não vinha da maneira que precisavas.
Ela não desapareceu.

Manifesta-se nas tuas reações mais sensíveis, nos teus medos, na tua necessidade de validação, na forma como certos momentos parecem maiores do que “deveriam” ser. Mas também vive na tua alegria, na tua curiosidade, na tua criatividade, na tua capacidade de sentir profundamente. O que ela sempre precisou não foi de ser corrigida, mas de ser vista. De ser reconhecida sem julgamento. De ser acolhida com presença, em vez de crítica.

Por isso, imagina-te, por um momento, sentada ao lado dela. Sem tentares mudá-la, sem pressa, apenas a estar. E, a partir desse lugar, algo mais suave começa a surgir uma relação diferente contigo mesma.

Por isso, respira fundo. E pergunta a ti mesma, com honestidade e gentileza

Algures entre estas duas vozes, a criança dentro de ti e o teu eu do futuro, é onde a tua vida realmente acontece. Este momento presente é a ponte. E neste espaço, podes escolher como queres estar. Podes escolher se ignoras ou escutas, se julgas ou acolhes, se controlas ou confias. Porque a forma como te encontras hoje não está apenas a moldar o teu futuro, está também a curar o teu passado.

O que é que a minha criança interior precisa de mim neste momento?
E o que é que o meu eu do futuro me agradeceria por escolher hoje?
Deixa que as respostas surjam sem força. Existe uma sabedoria silenciosa dentro de ti que já sabe.

Quando começas a viver assim, algo muda. Passas de evitar-te para te compreenderes, de te julgares para te tratares com compaixão, de forçares a vida a acontecer para permitires que ela te encontre onde estás. Deixas de fugir de quem és e começas, finalmente, a caminhar contigo - de forma inteira, honesta e cuidadosa.

E talvez, no meio disso, comeces a sentir algo que sempre esteve lá, à espera, por baixo do ruído. Um sentido de inteireza. De enraizamento. De que não estás atrasada, não chegaste tarde, não te falta nada. Estás simplesmente em conversa com a tua própria vida. E tanto a criança dentro de ti como a pessoa em quem te estás a tornar estão, suavemente, a guiar-te de volta a casa.

Com amor,
Sabina Ali

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